sábado, 18 de fevereiro de 2017

Meus resultados em Lorena

A competição em Lorena começou no sábado com a 1ª tentativa do fewest moves. Gastei meia hora para encontrar um AB5C em 27 movimentos (não o ideal, mas em teoria um começo razoável para quebrar o nervosismo da competição). No entanto, me atrapalhei ao adesivar os cantos não resolvidos e não consegui encontrar as inserções que resolviam o cubo. Com isso, quase sem tempo, tive que voltar um passo (do AB5C para o F2L-1) e terminar por Fridrich (F2L, OLL e PLL), terminando a solução em 49 movimentos. O resultado é bastante ruim (mas melhor que um DNF) e, acreditava eu então, me deixava fora da briga.

Eu em ação na primeira tentativa do Fewest Moves - foto: SBCubos
Eu em ação na primeira tentativa do Fewest Moves - foto: SBCubos
A seguir veio o 5x5x5, evento em que não estava inscrito, e que foi vencido por Bernardo Zakur Corrêa Santos, com uma média de 1'31". Na sequência, veio a primeira rodada do 4x4x4, da qual desisti por ainda estar longe do tempo limite (2'30", enquanto minha média está por volta dos 3').
Após pausa para o almoço, a competição voltou com a primeira rodada do 2x2x2, onde tive um desempenho bastante irregular. Na primeira solução (que seria ruim de toda forma), tive um erro de reconhecimento e deixei duas peças não resolvidas, resultando num DNF. A partir daí teria que ser mais cuidadoso, pois um segundo DNF me deixaria sem média. Na segunda, consegui resolver em apenas 5,98", meu novo PB. Na terceira, me atrapalhei novamente e completei a solução com 36,22", mais do que normalmente levo para completar o 3x3x3. As quarta (11,72") e quinta (13,93") tentativas foram ok, mas nada fantásticas. Após os descartes (o melhor e o pior resultados são ignorados), fechei com uma média de 20,62", na décima-oitava colocação (dez se classificavam para a final).
A seguir vieram algumas rodadas em que não participei. Na primeira do Square-1, Vicenzo Guerino Cecchini bateu os NRs de single (8,69") e média (12,23"). Na final do 4x4x4 (com seis participantes), Lucas Ichiro Yonomae sagrou-se campeão com uma média de 40,91". Na final do 2x2x2 Cecchini foi o vencedor com uma média de 3,96". Na final do Square-1, Vicenzo confirmou o favoritismo e arrebatou mais um título, com uma média de 13,22". Para se ter uma ideia de seu domínio na categoria, o vice-campeão, Fabio Bini Graciose, teve uma média de 36,10".
A próxima prova foi o Skewb, e eu estreei na categoria, terminando em décimo-terceiro (de treze participantes), com uma média de 34,17". Meus tempos foram (os descartes aparecem entre parênteses): 39,04" (21,87") (1'0,24") 25,70" 37,76". Como a prova foi dividida em duas baterias fiquei de juiz numa delas e pude ver de forma privilegiada Caio Hideaki Sato bater o NR de single com 3,23". Sato venceu a categoria com uma média de 5,64".

Caio Hideaki Sato posa para foto após seu NR - foto: SBCubos
Caio Hideaki Sato posa para foto após seu NR - foto: SBCubos
Para finalizar o primeiro dia de competição, veio a segunda tentativa do fewest moves. Dessa vez fui mais rápido (20') para finalizar meu esqueleto (um AB4C em 23 movimentos). Me atrapalhei um pouco com as inserções e as que encontrei proporcionaram apenas um cancelamento, finalizando a solução em 38 movimentos. Tivesse achado as inserções ideais marcaria um 34 nessa solução.
No domingo, segundo e último dia de competição, novamente tudo começou com o fewest moves (desta vez a terceira tentativa). Mais uma vez fechei meu esqueleto (um AB5C em 24 movimentos) em apenas 20'. No primeiro ciclo de inserções, encontrei a melhor solução (cinco cancelamentos). Mas no segundo me atrapalhei novamente e tive que fazer um ciclo de 9 movimentos (quando o normal, sem cancelamentos, são 8 movimentos). Assim, fechei a solve com 36, meu novo PB (single) para a modalidade. A partir do esqueleto que encontrei a solução ideal para as inserções fecharia o total em 33 movimentos. Consideradas as três tentativas, terminei com uma média de 41 movimentos, numa respeitável quarta colocação. Esta foi minha melhor classificação final em uma prova oficial da WCA, porém aquém de minhas pretensões. A categoria foi vencida pelo enxadrista, goísta e amigo de longa data Anderson Alessandro Pavia, com uma média de 34,67 movimentos. Foi o primeiro título e o terceiro pódio de Pavia na WCA. O organizador da prova, Augusto Rosa Esteves e Graciose obtiveram a mesma média (39). No segundo critério de desempate, a segunda colocação coube ao representante local. Guerino também apresentou um bom desempenho, mas denefou a última solução devido a um erro de transcrição (nessa categoria não há descarte de resultados). Não fosse esse erro, a segunda colocação seria sua. Quem tiver a curiosidade de ver as minhas três soluções da modalidade, podem encontrá-las comentadas no Fórum Cubo Mágico Brasil (logo acima das minhas estão as soluções do campeão).

Pavia construindo sua vitória na categoria menos movimentos - foto: SBCubos
Pavia construindo sua vitória na categoria menos movimentos - foto: SBCubos
A categoria seguinte foi o 3x3x3 com os olhos vendados. Nessa categoria, são apenas três tentativas e apenas a melhor delas conta para a classificação final. Esteves, com um tempo de 3'45,03" foi o campeão. Yunomae, com 3'48,34" foi o segundo e o único entre os seis participantes a acertar todas as soluções.
A terceira modalidade do dia foi o Pyraminx (um "tetraedro mágico"). Terminei na 13ª posição com uma média de 18,24" [singles: (32,48") 15,40" (12,27") 17,59" 21,72"], batendo ambos meus PBs. O título ficou com Gabriel Pinheiro, que fez uma média de 5,79".
Após intervalo para o almoço, a competição continuou com a primeira rodada da modalidade mais popular (e a única que permitia inscrição na hora): o 3x3x3, mais popularmente conhecido como cubo mágico ou cubo de Rubik. Consegui a média de 26,83" [singles de (29,17") (24,42") 27,33" 25,88" 27,27"]. Com isso, melhorei meus PBs de single e média (este em quase 5"), e terminei a rodada na 19ª colocação, classificando-me para a semifinal.
A próxima modalidade foi o 3x3x3 com apenas uma mão (OH). Aqui consegui uma média de 49,96" [singles: (55,63") 49,81" 51,06" (41,44") 49"], batendo ambos os PBs. O resultado me deixou na 13ª posição, batendo na trave para a classificação à final (12 avançaram). Uma curiosidade: meu último tempo me valeu um brinde especial da patrocinadora da prova, a SBCubos, que tem por hábito premiar todos os participantes que consigam um tempo sem centésimos nas provas. A propósito, a SBCubos é uma das melhores opções para quem quer comprar um cubo de competitição aqui no Brasil e um dos meus fornecedores frequentes.
Na sequência, a semifinal do 3x3x3, minha última participação no evento. Finalizei com uma média de 29,41" [singles: 29,81" 31,30" (27,12") 27,13" (35,21")], piorando um pouco em relação à rodada anterior (mas ainda com uma média inferior ao meu PB pré-Lorena) e terminando na 21ª posição.
A seguir veio a final do OH, vencida por Ichiro com uma média de 19,89". Encerrando a competição veio a final do 3x3x3, também vencida por Lucas com uma média de 11,25".
Para finalizar tudo, a premiação. Além das categorias oficiais (todas citadas acima) foram premiados ainda os três participantes mais velhos (Ricardo Rezende Navarro, Neusa da Silva Bini e Antonio Marcos Cecchini), os três mais novos (Sato, Vicenzo e Beni Issler), as mulheres mais rápidas (Laura Gomes Ribeiro, com uma média de 1'8,94" e Neusa, com 1'37,55") e os três melhores estreantes (Rodger Oliver Bittencourt com 14,6", Vinícius Koji Enari com 15,22" e Nicolas Makdissi com 22,46").

Tradicional foto de encerramento - foto: SBCubos
Tradicional foto de encerramento - foto: SBCubos
A prova foi muito bem organizada pelo Augusto e dirigida pelo delegado Felipe Baldívio Freire, contando com um total de 31 participantes, sempre num clima muito agradável de cordialidade entre os participantes, que também colaboraram com a organização e o bom andamento do evento na medida do possível. O único senão que poder-se-ia apontar foi o excessivo calor no local de competição, fator relativamente fora do controle da organização, sobretudo nesta época do ano.
Pessoalmente, tive um bom desempenho: em todas as categorias que participei, bati ao menos um PB e alcancei quase todas as metas planejadas. No 2x2x2 não consegui a média sub 10" almejada. No Skewb pretendia uma média sun 30" e consegui 34,17", ficando relativamente longe. No Fewest Moves, principal modalidade a que me dedico, tampouco fui mal mas  fiquei bem aquém do desempenho desejado. Ironicamente, acabei trazendo a medalha da categoria. Mas apenas fisicamente: como o campeão Pavia não pôde esperar a cerimônia de premiação, fiquei como portador de seu prêmio. Meu destaque positivo foi o 3x3x3, onde tive um significativo progresso na média alcançada. Minha próxima competição deve ser o Orange Tech, nos dias 18 e 19 de março, na cidade de Francisco Morato.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Metas para o Lorena Open

postei no Fórum Cubo Mágico Brasil minhas metas cubísticas para esse ano. E, nesse fim de semana, participo de minha primeira competição em 2017. Trata-se do Lorena Open. Seguem abaixo, portanto, minhas metas para este certame, categoria por categoria.
No 2x2x2, pretendo baixar meus PBs de single (8,56) e média (10,47). Especificamente, pretendo alcançar uma média sub-10. No 3x3x3, pretendo ficar próximo do meu PB de single (25,80 - se conseguir bater, melhor ainda!) e bater o de média (30,77) - pretendo alcançar uma média sub 30. O Pyraminx acredito que seja a categoria mais provável de bater os PBs (atualmente em 21,51 para single e 25,37 para média): acho que dá para ser consistentemente sub 20. O Skewb é uma categoria nova para mim, então não tenho muito parâmetro para comparação, mas espero alcançar pelo menos um single sub 25 e uma média sub 30!
Devo desistir de duas categorias em que estou inscrito: o BLD (3x3x3 com olhos vendados) e o 4x4x4. Sempre me inscrevo com bastante antecedência e incluo várias categorias que tenho a pretensão de aprender, mas nem sempre chego lá. O BLD ainda não terminei de aprender (ainda me atrapalho com arestas e, principalmente, com paridade), então nenhuma chance. O 4x4x4 até sei resolver, mas ainda estou desempenhando longe do tempo limite de 2'30".
Por fim, mas não menos importante, participo ainda do Fewest Moves (3x3x3 em menos movimento). O primeiro objetivo, como sempre, é evitar DNFs. Para isso vai ser preciso controlar bem o tempo limite de uma hora para cada solve. Conseguindo isso, o objetivo é ser sub 35 em todas as tentativas, pulverizando assim os PBs (atualmente em 37 para single e 40 para média). Um último objetivo é trazer para casa uma das medalhas da categoria (não necessariamente a mostrada abaixo).

Medalha para o campeão do Fewest Moves
Medalha para o campeão do Fewest Moves

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Nikkey Janeiro

A mestra internacional Juliana Sayumi Terao foi a grande vencedora do Torneio Nikkey da Consciência do Xadrez. A prova, realizada em 14 de janeiro, contou com 18 participantes e foi realizada pelo sistema suíço em cinco rodadas. Juliana venceu todas as suas partidas. Dois jogadores ficaram a um ponto da campeã: Fabio Sanches de Carvalho e Felipe Cordeiro da Silva, nessa ordem de desempate. Curiosamente, nenhum dos dois enfrentou Terao. Cinco jogadores fizeram três e dividiram a quarta colocação. Destes, o melhor desempate coube ao MF Angel Gutiérrez.

Confronto pela última rodada MF Gutiérrez 0 x 1 MIF Terao
Confronto pela última rodada MF Gutiérrez 0 x 1 MIF Terao

Paralelamente, foi realizado também um torneio de go. Com seis participantes e realizado pelo sistema Schurig, o torneio teve o 4-dan Thiago Augusto Silva como campeão. Thiago venceu todas as suas partidas. Com uma derrota, Alan Yoshida foi o vice-campeão. O professor da PMSP Fabio Alves Bertelli terminou na terceira colocação.
Ambos eventos foram realizados na Consciência do Xadrez, tiveram a direção de Edy Sakita e a arbitragem de Marius van Riemsdijk. Em 18 de fevereiro, dois torneios nos mesmos moldes (um de xadrez e outro de go) serão realizados.

domingo, 8 de maio de 2016

Janeiro: Nova Zelândia, Gibraltar e Bulgária

Outro destaque em janeiro (além das normas conquistadas) foi a participação de brasileiros em torneios no exterior.
De 2 a 10 o GM Alexandr Fier participou do 123º Campeonato Neo-zelandês (veja também matéria no ChessBase). O Campeonato é, em realidade, um abertão em que o melhor kiwi é declarado campeão nacional, e é realizado em um festival que inclui ainda torneios de rápido e relâmpago. O GM britânico Gawain Jones venceu o torneio principal com 7½/9 (+6=3). Três jogadores ficaram a meio ponto do campeão: os GMs Ju Wenjun, Ma Qun e Nigel Short. Fier foi um dos três que ficaram a um ponto do campeão. Jones, Ma e Fier foram os únicos invictos do torneio. Fier ganhou nove pontos de rating com seu resultado. Entre os neo-zelandeses, os MFs Alexei Kulashko e Michael Steadman, ambos com 6 pontos, dividiram o título nacional. A MFF Layla Timergazi e a CM Helen Milligan, ambas com 4½ dividiram o título neo-zelandês feminino. A esposa de Fier, a GMF francesa Nino Maisuradze também participou da prova, fazendo meio ponto a menos que o brasileiro. Fier e Maisuradze jogaram também outros torneios do festival. No Neo-zelandês de xadrez rápido ambos fizeram 6 pontos. Ma venceu o rápido com 9/9! Jones ficou em segundo a um ponto. Alexandr e Nino jogaram ainda o Neo-zelandês relâmpago. O brasileiro foi o terceiro colocado, com 7/9. Maisuradze dividiu a quinta posição, a um ponto do esposo. Ma e Jones dividiram o título com 8/9. O festival incluiu ainda dois relâmpagos matinais. No primeiro, Fier foi o campeão com 7/7. No segundo, foi a vez de Maisuradze sagrar-se campeã, com 6/7.
Quatro brasileiros disputaram o Festival Tradewise Gibraltar: o MI Yago de Moura Santiago, o MF Felipe Kubiaki Menna Barreto, o CM Jorge Alberto Duardes Boabaid e José Antonio Silveira Gonçalves. No principal torneio, o Masters, Menna Barreto teve o melhor desempenho, terminando com 5/10 (+4=2-4). Santiago fez 4½ (+3=3-4), enquanto Gonçaves fez 4 (+3=2-5). O torneio foi vencido pelo GM francês Maxime Vachier-Lagrave, com 8/10, após dois desempates (um rápido e um relâmpago) contra o GM estadunidense Hikaru Nakamura, que alcançou a mesma pontuação. No Challenger A (25 a 29/1), Kubiaki terminou em terceiro com 4/5 (+3=2), enquanto José Antonio fez um ponto (+1-4). Nas mesmas datas, no Amateur A, Boabaid marcou 2/5 (+1=2-2). No Challenger B (30/1 a 3/2) Felipe foi o vice-campeão, com 4½/5 (+4=1). No Amateur B, Boabaid marcou 3/5 (+3-2). No cômputo de todos os torneios, quanto a rating, o festival não foi muito favorável aos brasileiros: o MI perdeu 17,2; o MF foi o único a ganhar,  com 25,6; o CM perdeu 38,2, enquanto o não titulado perdeu 4,2.
Entre 31 de janeiro e 7 de fevereiro Fier disputou (e venceu!) o Aberto da Bulgária. O GM brasileiro foi o único da prova a alcançar 8/9 (+7=2). Com o resultado Fier colheu mais onze pontos de rating. A prova contou com 241 jogadores de15 países, com 48 titulados (10 GMs). Um belíssimo resultado para o nosso GM!

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher

Hoje é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Como pode ser visto no artigo da Wikipédia, a data inicialmente estava ligada às lutas das mulheres por melhores condições de trabalho (notadamente de inspiração esquerdista) e pelo direito ao voto. Vamos então aproveitar a data para destacar algumas mulheres que se destacaram nas quatro áreas que são os temas mais constantes deste blog: cubo mágico, física, matemática e xadrez.

Jessica Fridrich
Jessica Fridrich
No cubo mágico o grande destaque é checa Jessica Fridrich (veja também sua página pessoal). Participante do 1º Campeonato Mundial de Cubo Mágico em 1982, ela ficou mais conhecida por documentar e popularizar o método mais usado pelos speedcubers. Atualmente um destaque é a australiana Jasmine Lee. Embora ultimamente ela não tem se destacado tanto, ela participou de todos os Campeonatos Mundiais, exceto o primeiro (o 2º foi realizado em Toronto em 2003 e eles são bienais desde então; o último aconteceu no ano passado em São Paulo), já foi vice-campeã mundial no Rubik's Clock e foi detetora de diversos recordes continentais entre 2003 e 2007. No Brasil, um destaque é Thaynara Santana de Oliveira. Thayanara está nos cem mais do Brasil em quase a totalidade das categorias em que já participou e é delegada da Associação Mundial de Cubo Mágico.

Marie Curie
Marie Curie
Na física, o destaque não poderia deixar de ser Marie Curie, a única pessoa a ganhar prêmios nóbeis em duas categorias científicas distintas (Física em 1903 e Química em 1911). Os feitos de Mme. Curie são tantos e tão grandiosos que ela dispensa qualquer apresentação adicional. Atualmente, podemos destacar Lisa Randall. Trabalhando em física de partículas e cosmologia, Randall ficou conhecida pelo modelo Randall-Sumdrum. No Brasil, destacamos a astrofísica da UFRGS Thaisa Storchi Bergmann.

Maria Gaetana Agnesi
Maria Gaetana Agnesi
Na matemática, destacamos a italiana Maria Gaetana Agnesi. Agnesi foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira de matemática em uma Universidade. Além disso, foi autora do primeiro livro tendo tanto o cálculo diferencial quanto o integral como assuntos. Atualmente, destacamos a iraniana Maryam Mirzakhani, que em 2014 tornou-se a primeira mulher a receber a Medalha Fields. No Brasil, destamos Valéria Correa Vaz de Paiva, especialista em teoria de tipos.

Vera Menchik
Vera Menchik

No xadrez, o nome que salta à vista é o de Vera Menchik. Menchik foi a primeira campeã mundial de xadrez. Ao conquistar o título, em 1927, viu sua irmã mais nova, Olga Menchik ser vice-campeã. Vera  defendeu com sucesso o título em seis ocasiões e o manteve até sua trágica morte, vítima (juntamente com Olga e a mãe das duas) de um bombardeio em Londres na 2ª Guerra. Além de ser a campeã mundial feminina, Vera participou de diversos fortes torneios internacionais, especialmente em Hastings. Embora a maioria de suas participações tenham tido resultados discretos, Vera colecionou um importante número de vitórias individuais, inclusive sobre o futuro campeão mundial Max Euwe, dando origem ao "Clube Vera Menchik". Atualmente, o destaque não poderia deixar de ser a chinesa Hou Yifan. Duas vezes campeã do mundo (2010, aos 16 anos e 2013), Hou está atualmente desafiando a atual campeã, Mariya Muzychuk, em match de dez partidas pelo título. Líder do ranking mundial e tendo 143 pontos de rating a mais que sua adversária, a chinesa é considerada favorita no confronto. Passada exatamente a metade da séria, Yifan lidera com uma vitória e quatro empates. No Brasil, o destaque fica com a MIF Juliana Sayumi Terao, atual campeã nacional.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Norma, norma, norma!

Em janeiro algumas normas foram conquistas por brasileiros. Destaque para a terceira e definitiva norma de GM de Evandro Amorim Barbosa (hoje MI), que também alcançou os 2500 de rating necessários e deve receber o título em definitivo brevemente, tornando-se o décimo-segundo grande mestre brasileiro. Vamos fazer uma revisão de todas as normas alcançadas (e de algumas oportunidades perdidas também).
De 9 a 17, como já reportamos, aconteceu o Campeonato Brasileiro. Nele, o MF paranaense Ernani Francisco Choma conquistou norma de MI (além de ter ficado com a terceira colocação). Se por um lado o Brasileiro tem produzido um bom número de normas de MI, por outro sua pouca atratividade para os GMs têm impossibilitado que normas para o grau máximo de excelência no xadrez sejam disputadas.
Paralelamente (ou seja, no mesmo local e período) ao Brasileiro, aconteceu o Memorial Marcel Duchamp. Também neste torneio perdeu-se a oportunidade de oferecer a chance de norma de GM. Substituindo-se Luiz Antonio Manzi (não há uma crítica aqui ao jogador mas sim ai fato que seu rating fazia dele uma escolha pobre para participar do evento) por um dos MIs residentes no Rio (Diego Di Berardino ou o uruguaio Luis Rodi, já que Limp estava no Brasileiro) abriria-se esta possibilidade. Com os participantes que teve o evento propiciava apenas a chance de normas de GMF às jogadoras participantes, além de normas de MI para as mesmas e para o próprio Manzi (que, infelizmente, teve um mal desempenho e nenhuma chance prática de norma). As jogadoras foram as MIFs Juliana Sayumi Terao e Vanessa Feliciano, e suas colegas argentinas Ayelen Martínez e Marisa Zuriel. Esta última com 5½/9 conquistou a norma de GMF.
O II Floripa Chess Open aconteceu em Florianópolis de 16 a 22. A prova foi vencida pelo GM peruano Julio Granda, com 8½/10, meio a mais que um grupo de sete jogadores. O MI Luis Supi conquistou uma norma de GM, enquanto o MF Álvaro Aranha conquistou uma de MI. O torneio é hoje o principal aberto no país. Infelizmente porém, em suas duas edições viu o Brasileiro (sempre previsto para dezembro) ser adiado e coincidir com sua data. Na sequência do aberto (de 23 s 28) foram realizados dois torneios fechados justamente para proporcionar a alguns jogadores chances de norma. No III Floripa Chess Masters, havia a possibilidade de normas de GM e MI. Ninguém as conseguiu mas o MI Renato Quintiliano Pinto teve uma desempenho bastante bom, com um performance de 2550 (para a norma de GM é necessária uma performance de 2600). No Magistral Lourenço João Cordioli havia apenas a chance de normas de MI (na verdade a paraguaia Gabriela Vargas poderia também conquistar normas de MIF ou GMF). Nenhuma norma foi alcançada, no entanto. O MN Lucas Aguiar Cunha teve chances até ser derrotado na última rodada pelo MI sérvio Dragan Stamenkovic, terminando com 6 pontos. O MF João Danilo Mandetta também teve um bom desempenho, terminando invicto e também com 6, mas suas chances acabaram antes. A prova foi vencida pelo MI argentino Leandro Perdomo.
A Etapa de Natal-RN do Circuito de GM do Nordeste em realidade estendeu-se até 4 de fevereiro (teve início em 27 de janeiro). O MI mineiro Evandro Amorim Barbosa venceu a prova com 7/9 (+5=4), mesma pontuação e melhor desempate que o GM Darcy Gustavo Lima. Como já adiantamos, com o resultado Evandro faz jus ao título de GM.

Lima e Barbosa enfrentam-se em Natal. Foto: Federação Potiguar de Xadrez
Lima e Barbosa enfrentam-se em Natal. Foto: Federação Potiguar de Xadrez
Por fim, deixemos aqui a inspiração para o título desta postagem. 8-)


sábado, 20 de fevereiro de 2016

A piada mais datada de TBBT

No terceiro episódio da primeira temporada de "The Big Bang Theory", "The Fuzzy Boots Corollary" (lançado em 8 de outubro de 2007), Leonard e Penny encontram-se para jantar. Penny esperava encontrar toda a trupe de físicos (mais o Howard), mas Leonard manobrou para que fossem só os dois no jantar. Após dar desculpas para o não aparecimento dos demais o diálogo (tradução minha a partir da transcrição da página "big bang theory transcripts" - emoções por adição da minha memória, não revi o episódio para escrever essa postagem) chega a um ponto constragedor e, após breve pausa segue assim:

Penny (tentando quebrar o gelo): "E então, o que há de novo no mundo da física?"
Leonard: "Nada."
Penny (surpresa): "Sério, nada?"
Leonard (tom professoral): "Bem, como a exceção da Teoria das Cordas, nada de importante acontece desde os anos 30, e você não pode provar a Teoria das Cordas, quando muito você pode dizer:" (muda para tom jocoso) "Ei!, veja, minha ideia tem uma lógica interna consistente."
Penny: "Ah. Bem, tenho certeza que as coisas vão melhorar."

E melhoraram, de fato! Cada vez mais o avanço tecnológico permite a leitura de diminutas diferenças em medições físicas. Esse avanço, aliado a engenhosas concepções experimentais, permitiram um grande avanço na física experimental.
Assim, em 14 de março de 2013, o CERN confirmou a descoberta do bosón de Higgs. O resultado teve grande cobertura da mídia, no geral, em linhas como "descoberta a partícula de Deus". A partícula havia sido prevista em papers publicados em 1964 por seis autores. Em dezembro de 2013, dois do seis, Peter Ware Higgs (que, a contra-gosto, empresta seu nome à partícula) e François Englert, receberam o Nobel de física.
Agora, na quinta-feira da semana passada (11/2/2016), foi anunciada a primeira observação de ondas gravitacionais. Detectada em 24 de setembro de 2015 pelo observatório LIGO, a onda gravitacional detectada foi originada pela colisão de dois buraco negros a mais de um bilhão de anos-luz. Veja uma explicação em texto da descoberta, outra em vídeo e a publicação dos resultados. O Brasil também tem um observatório de ondas gravitacionais, cujo nome homenageia, com justiça, Mário Schenberg.
Rigorosamente falando, a piada já nasceu velha: em 17 de março do mesmo ano em que a série estreou, já foram divulgados os dados conciliados dos três primeiros anos de funcionamento do WMAP. O WMAP foi responsável pela medição da radiação cosmológica de fundo, e de todos os seus resultados divulgados, os de três anos me parecem ter promovido o maior impacto na cosmologia.